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wGritos e Sussurros |
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Listinha arranhada agora, aqui no improviso, do que eu chamaria de "Os 8 Filmes Mais Importantes de 2003". Não os melhores, não os que eu mais gostei, mas Os Mais Importantes. Mas deve-se destacar que, "por uma enorme coincidência", eu GOSTEI PRA CARALHO de todos. E deve-se destacar ainda mais que essa listinha é a coisa mais capenga possível, dado o fato de eu ainda não ter visto milhares de filmes que, imagino, têm fortíssimo potencial (ex: Um Filme Falado, Zaitochi etc. etc. etc.).
Vamos a ela:
(1) Dogville, de Lars Von Trier
(2) Elefante, de Gus Van Sant
(3) Sobre Meninos e Lobos,de Clint Eastwood
(4) O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla
(5) The Brown Bunny, de Vincent Gallo
(6) Ken Park, de Larry Clark
(7) Filme de Amor, de Julio Bressane
(8) As Maletas de Tulse Luper Parte 1: A História de Moab, de Peter Greenaway
É isso. São 8 filmes porque eu não encontrei filme suficiente pra fazer 10. Mas me aguardem Manoel de Oliveira, Takeshi Kitano, Tsai Ming-Liang... eu voltarei!
posted by
João Cândido at 16:51
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wquarta-feira, 12 de novembro de 2003 |
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THIS IS HARDCORE II: EVEN HARDER!
Sobre a festa: estamos com alguns problemas com a administração do lugar. Algumas alterações infelizmente foram feitas. A primeira delas é quanto à música. Edinho, Guilherme, Marcelo e eu tocaremos todos na mesma pista, a de baixo. Assim sendo, os aniversariantes vão tocar menos que o previsto e o Edinho deve comandar a festa quase toda. A pista de cima estará nas mãos de um DJ da casa, desconhecido, sobre o qual não temos nenhuma informação.
Outra mudança é quanto ao preço. Pra nossa infelicidade, eles não aceitam menos que 10 reais. Então o esquema é o seguinte: 10 com filipeta e 20 sem. Por isso, você TEM que levar uma filipeta. Quem ainda não tiver e quiser imprimir, pode pegar clicando aqui. Peço muitas desculpas e, por favor, espalhe essa história de filipeta. Não quero ver ninguém pagando 20 reais ou deixando de entrar por causa disso.
Portanto, repito: FILIPETAS AQUI!!!
(esse post permanecerá aqui no topo até a festa)
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João Cândido at 11:32
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wterça-feira, 11 de novembro de 2003 |
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Estou com vontade de escrever. Vamos lá?
Fatos & Fotos... acabou! Junto com a Manchete. Lembram dela? Nada mais brilhante que o slogan "Aconteceu, virou Manchete!". Sou louco pra reutiliza-lo hoje em dia, mas é difícil achar o momento.
Mas cá estou, na madrugada pós-ICQ, pós-Trakinas, pós-mIRC, pós-masturbação, pós-octogésima nona revisada no último roteiro... escutando Nina Simone, três músicas lindas que um conhecido de São Paulo me mandou. Uma em especial, I Put a Spell On You, me parece claramente a trilha sonora perfeita prum certo filme. Não conto qual e dou um doce de coco (sem acento!) pra quem acertar.
Pois é, aí tem aquela do menino que foi pra aula de francês e conheceu Proust. Porque, sabe, Caetano Gottardo (é assim mesmo, com dois tês?) e Márcio Franco, eu descobri que também tenho um seríssimo problema (problema?) com a temática da memória, do tempo passado, das lembraçcas, da saudades. Pois é, aí Proust. Aí As Dúvidas do Coração em quarto lugar no Top 10 de um Festival onde eu vi exatos 90 filmes. Quarto não é pouco não. Aniversário chegando e isso, em termos de pai e mãe signifca claramente dinheiro. Mas dinheiro pra ser bem empregado. Se eu fosse criança diria que "não é dinheiro pra gastar em bala e chiclete". Pois estou pensando cá comigo que vai ser dinheiro pra gastar em Proust. Sebos já! E, Caetano, se você estiver lendo, vai perceber, não só aqui como logo ali embaixo também, que este post tem muito a ver com você. Comente. Estou com saudades.
E aí tem a questão do aniversário. Meu amigo, minha amiga, você já foi condidado/a pra festa e você vai, sem sombra de dúvida (mais terríveis notícias um outro dia). Mas fato é que aniversário mesmo é sexta-feira, dia 14. E você quer comemorar comigo, não quer? Por enquanto já me confirmaram presença algumas deliciosas companhias da noite. Onde? Bom, a primeira parada será no tão falado Armazém 161, lá na Lapa. Pois vai ser não só uma reunião familiar como uma reunião labutar. Sim! Meu irmão mais velho estará tocando, como faz toda sexta com seu Casurina, enquanto meu irmão mais novo, barman chefe da casa, estará caprichando nas caipirinhas do irmão aniversariante. Além, é claro, das ótimas presenças de Seu João e Dona Solange, o casal que me fez no carnaval de 81. Isso dito, espero que você aí esbarre comigo por lá. Mas o que? Samba? Ah é, você prefere um roquenrol, né? Tudo bem, de lá, deixando a família de lado, sigo pro antro de perdição mais gasto da nossa noite, mas ainda assim o mais apelativo: Bunker, ex-94. Lá você vai, né? Então formou!
E quanto àquela polêmica... eu acho que todos deviamos ter nos calado. Algo me diz que esse bafafá era o que ele queria. Mas ora bolas, é difícil e um saco ficar calado. Eu acho que eu acho que eu acho. Sou cheio de achismos. Pós-moderno, viva Kant! Viva Renato Silva! Mas, cá entre nós, aquele foi realmente um texto feio.
E sexta-feira passado vimos Albergue Espanhol, um filme delicioso e com um monólogo final de tirar qualquer fôlego. Deve estrear em breve e, por favor, não perca. Mas então, no sábado de madrugada eu fiz as pazes com um velho desafeto chamado Tsai Ming-Liang (oi, Caetano!), com quem eu brigara em 1998 ao assistir a O Rio. Pois o efeito pós-Brown Bunny me fez repensar Ming-Liang e alugar Vive L'Amour. Eu não sou nenhum Kléber Mendonça nem Ruy Gardnier ou Eduardo Valente, por isso prefiro me calar. Mas obra-prima, meu amigo, é apelido. Se você ainda não viu, veja! A prova final está é por vir: rever O Rio. Se for tudo ok, conto aqui depois. Se eu me calar... interpretem como quiserem.
Não posso deixar de mensionar os outros dois filmes alugados, por uma estranha coincidência também dirigidos por orientais. O primeiro foi Felizes Juntos, de Won Kar-Wai, fantástico, superando toda e qualquer expectativa. Mas e o final? Vou contar porque não influi em muita coisa. Só os últimos planos, gerais, de uma cidade grande com seus carros passando em grandes avenidas, com o filme em velocidade acelerada e ao fundo a música Happy Together. Lindo até dizer chega. Mas o ponto não é esse. Quem assistiu a Adaptação sabe do que falo. À excessão das flores crescendo, o filme de Spike Jonze chupou lindamente essa cena, hein! Cópia deslavada ou homenagem? Podendo escolher, fico com a primeira.
Quanto ao outro filme... o Grande! Brother, do ídolo Takeshi Kitano. Não é nenhum Hana Bi, o que não quer dizer, nem de longe, que não seja um grande filme. Nas palavras de Tiago Brandão: é foda! MUITO sangue. E Takeshi fazendo sua estrada para a renovação do Top 5 diretores que eu estou pra atualizar. Não, brincadeirinha, não precisa exagerar. Mas quem viu Dolls sabe o poder que ele tem.
Perdi o fio da meada.
Ah sim! Eu nunca li Bukowski.
posted by
João Cândido at 04:48
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wdomingo, 2 de novembro de 2003 |
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NENHUMA expectativa, por maior que fosse, poderia ter me preparado para a noite de ontem. Foram quase duas horas de puro pancadão, sem parar de dançar. Teve de tudo. Trenzinho, Bonde Faz Gostoso, gente dando beijo de língua na Lacraia em troca de 50 reais, Tati quebrando o meu barraco... Uma das noites mais memoráveis da minha existência. Uma experiência ímpar e indescritível (por isso, não vou nem me esforçar). O mais interessante foi ver a mistura fantástica e totalmente pacífica de grupos a princípio 100% díspares, como os e-pessoas, fãs de Peaches; os playboys do mais alto escalão, bombados e da TJF; os funkeiros puro sangue, com credenciais provavelmente conseguidas pelo DJ Malboro; os indies air guitar locais da Matriz... Tudo e todos rebolavam até chão, batiam bundinha, pulavam e gritavam com a primeira seqüência de pancadões cláááássicos e depois com os intermináveis convidados.
É SOM DE PRETO, É SOM DE FAVELADO! MAS QUANDO TOCA, NINGUÉM FICA PARADO!
E quanto a Peaches... porque ninguém me avisou que ela é (a) um travesti e (b) uma merda sem tamanho?
posted by
João Cândido at 17:56
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Hahá! Ruy Gardnier, você deu bolinha preta pra Dogville... mas eu ainda te amo!
POR FAVOR, TODOS! LEIAM ISSO:
AOS TREZE, de Catherine Hardwicke
(tirado da Contracampo)
Tom. É só o tom de um filme que permite dizer a relação que o diretor desenvolve com o tema retratado, com os atores, com a maneira de se aproximar das questões colocadas, etc. A breve leitura da sinopse de Aos Treze não nos dá margem para supor se trata-se de um filme exploit sobre adolescência (à Larry Clarke), se é um relato da crônica de vida de uma jovem (As Virgens Suicidas) ou se é um exemplar perfeito de teen film comercial (100 Garotas, Dez Coisas Que Eu Odeio...). Assistindo, temos a pior impressão possível: travestido de olhar compreensivo e acolhedor, Aos Treze é um desses filmes que deveriam vir com a tarja "Cuidado, Pais" grudada ao poster. O acavalamento de situações "perigosas para a juventude" é tão recorrente que o filme logo deixa de fazer efeito e logo torna-se risível.
Rewind. Tracy é uma menina lindinha, apesar de um tanto travada (a fórmula Betty, A Feia, já patente em Mariana Ximenes, funciona aqui também: basta prender o cabelo e estar sem maquiagem para parecer "feia"). Tem treze anos e não está contente em ser uma menina deslocada em seu colégio. Os amigos de seu irmão só têm olhos para Evie, teen bitch da mesma idade com toques de Cindy Crawford e Jennifer Lopez. Tracy se aproxima dela, torna-se amiga e passa a viver a vida de pequenos furtos, receptação de droga, promiscuidade sexual e drogadição da nova amiga. No segundo plano da trama, a explicação: a ausência da figura paterna, a falta de atenção das mães (ou tutoras), inexistência de um horizonte moral a ser seguido. Aos Treze assume freqüentemente ares de um filme institucional de assistência social: a caracterização dos personagens e o encadeamento de situações não privilegia em nada a criação de densidade (em nenhum momento vemos como sedutora a glamurosa vida que nossa Tracy decide levar, e nem ao menos conseguimos julgar como válidas as decisões que a garota toma dadas as circustâncias em que ela cresce).
Longe de qualquer intenção de ficcionalizar fortemente sua trama, a diretora Catherine Hardwicke faz de Aos Treze um filme esquemático, sem o teor de provocação existente, por exemplo, em Kids ou Ken Park (e sem o gozo, principalmente), e absolutamente desprovido de profundidade. Cedo demais descobrimos que a intenção da diretora é enquadrar seus personagens (todos eles, em alguma medida ou outra) no divã ou numa instituição de guarda, reduzindo qualquer situação dramática à facilidade da apelação descarada (Tracy fazendo sexo oral com um namorado afro-latino e depois comentando com sua amiga que o gosto é amargo) ou à pura falta de senso dramático (a mãe retirando o piso da cozinha e derrubando sucrilhos no chão como acting out de uma crise familiar). A não ser que o leitor seja um pai zeloso com seus filhos e queira se precaver com o assustador mundo da adolescência que Aos Treze pinta, não há muitos outros motivos para passar perto do cinema...
Ruy Gardnier
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João Cândido at 17:46
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wsexta-feira, 10 de outubro de 2003 |
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Monolito de Ouro edição especial Festival do Rio 2003
Júri: Eu!
Top 10 Melhores Filmes:
(1) Dogville, de Lars Von Trier
(2) The Brown Bunny, de Vincent Gallo
(3) As Maletas de Tulse Luper Parte 1: A História de Moab, de Peter Greenaway
(4) As Dúvidas do Coração, de Fabio Carpi
(5) Filme de Amor, de Julio Bressane
(6) As Cinco Obstruções, de Jorgen Leth e Lars Von Trier
(7) Elefante, de Gus Van Sant
(8) O Signo do Caos, de Rogério Sganzerla
(9) Às Cinco da Tarde, de Samira Makhmalbaf
(10) Nus, de Doris Dörrie
Melhor filme: Dogville, de Lars Von Trier
Prêmio do Júri (segundo lugar): The Brown Bunny, de Vincent Gallo
Melhor diretor: Peter Greenaway por As Maletas de Tulse Luper Parte 1: A História de Moab
Melhor ator: Hector Altério por As Dúvidas do Coração
Melhor atriz: Chloe Sevigny por The Brown Bunny
Melhor roteiro: Gus Van Sant por Elefante e François Ozon por Swimming Pool
Melhor documentário: As Cinco Obstruções, de Jorgen Leth e Lars Von Trier
Melhor diretor estreante: Andrew Jarecki por A Captura dos Friedman e Dusan Milic por Jagoda e O Supermercado
posted by
João Cândido at 13:08
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wquinta-feira, 25 de setembro de 2003 |
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Mais um texto genial do Kleber Mendona Filho, jornalista, crítico e pensador de cinema, do site CinemaScópio. Por favor, não deixem de ler. Está fantástico!
Irreversível & The Brown Bunny e Bad Boys II
Por Kleber Mendonça Filho
Vi Irreversível em maio de 2002, no Festival de Cannes. A primeira impressão está registrada no site e está claro que me senti atraído pela técnica do filme e sua capacidade de agredir com imagem e som. Na época, não entendi bem o porquê de tanto de tudo aquilo que o filme tem, e acho que muitos também não entenderam. Some isso ao hype excessivo na época do Festival e veio uma sincera irritação com o filme de Noé.
Nesses 15 meses e tanto, o filme alojou-se na consciência de muita gente, inclusive na minha. Há uma grande maioria que o detesta, especialmente a crítica em geral, amigos e colegas de profissão. Em termos gerais, há uma preocupante censura velada ao filme e é provável que a grande imprensa o trucide no seu lançamento no eixo Rio/SP.
Fico feliz de o filme ganhar distribuição no Brasil, pois o mercado está cada vez mais difícil para filmes anormais, com forte resistência à violência, ao ritmo lento, às formas duras de filmar a realidade (onde está o mexicano Japón, ou o belga Rosetta? Funny Games, de Michael Haneke, obra-prima absoluta, foi praticamente enterrado pelos exibidores em 98. No Rio, o filme chegou um ano depois de passar aqui no Recife.
Isso é preocupante e me lembra já um outro filme recebido a pedradas em Cannes (esse ano), The Brown Bunny, do Vincent Gallo, que chega ao Brasil via Festival do Rio 2003 (tentem ver esse filme). A crítica fez corredor polonês tanto com Irreversível como com The Brown Bunny. Bateram e mijaram nos filmes, e isso para mim só faz valorizar essas duas obras que, no final das contas, são perseguidas por serem objetos estranhos na caretíssima cinematografia atual, não tanto na cinematografia feita e pensada, mas na cinematografia apreciada e exibida. É a velha coisa humana, tenha medo daquilo que você não conhece, nunca viu antes e que parece agressivo. Os dois filmes parecem agressivos, mas não são, realmente.
Eu sei que gosto não se etc... mas Irreversível e The Brown Bunny não são ‘Bela Donnas’ ou ‘Jacobinas’, que desagradam pela incompetência técnica e narrativa, conseguindo assim unanimidades de rejeição. São filmes bem pensados, autorais, pessoais, produzidos com novas tecnologias, por diretores jovens que usam a anergia que têm para desafiar idéias de mercado, idéias do que pode, ou não, ser mostrado no cinema.
Tecnicamente, Noé e Gallo utilizaram até mesmo a mesma câmera (uma Aaton pequena), tendo Noé dado dicas pessoais a Gallo sobre como filmar com o equipamento. A sintonia dos dois foi comprovada na coletiva de imprensa de Gallo, em Cannes, quando eu vi Noé em pé ao fundo, dando uma de amigão em momento tão interessante! Um ano antes, era Noé que enfrentava a fúria da imprensa. Na época, chegaram a perguntar ao cara se ele pretendia matar alguém de verdade num próximo filme, piada irônica que, no fundo, revela um preconceito gigante por parte de quem indagou.
No caso de Irreversível, é bom lembrar que, historicamente, filmes agressivos (Meu Ódio Será Tua Herança, Laranja Mecânica, Sob o Domínio do Medo, Texas Chainsaw Massacre, Scarface, Funny Games) sempre foram recebidos no coice. “Fascista”, “Imoral”, “Nojento”, “Desumano”, “Pervertido”, adjetivos jogados ao léu em tempestades de incompreensão para cada um desses filmes, nas respectivas épocas dos seus lançamentos. Foram todas obras que quebraram barreiras, que mostraram imagens e repensaram a violência filmada de maneira anormal (adoro essa palavra quando aplicada a filmes, os anormais são os melhores).
Os dois filmes de Noé e Gallo, aparentemente, desagradaram a crítica e espectadores em geral por serem ultra-violentos, monótonos, por exibicionismo, sexo e violência explícitos. Interessante observar que quem abandona os dois filmes – no caso de Irreversível, pela violência, no de ‘Bunny’, pela monotonia – deixa de ter uma visão dos dois conjuntos que realmente fecham-se perfeitamente como círculos.
É aí que chamo para a roda um terceiro filme, igualmente depredado pela crítica (eu incluído), e isso só prova o quanto o juízo de valores, o “entender algo” revela-se tão complicado, às vezes contraditório: Bad Boys II. Fui ver o filme de Michael Bay e lembrei muito de Irreversível. Você pode discordar por completo, mas acho que este sim merece os impropérios que o filme experimental de Noé (e os de Peckinpah, Kubrick, Hooper, De Palma...) tem recebido (“irresponsável”, “imoral”, etc).
Dezenas de pessoas são trucidadas alegremente em Bad Boys II. A morte é um espetáculo excitante, a destruição é um espetáculo excitante e degradante, carne e sangue humanos são derramados sem dor ou conseqüência. Em Irreversível, há um morto e um estupro. A morte é feia, longa como dizia Hitchcock (“matar alguém é algo trabalhoso e que leva muito, mas muito tempo”), a linguagem desafia o espectador a mantrer os olhos bem abertos. Há conseqüências terríveis para cada ato de violência, e essa violência é executada com a estupidez do ódio, o desejo de vingança é equivocado, um desastre.
O estupro no filme ganha tratamento à altura do ato. É uma coisa feia, abominável. Em Irreversível, cada entrada naquela mulher sugere dor, desrespeito. Em Bad Boys II, cada barraco derrubado por um jipe na impressionante seqüência da favela incita ao riso, ignora o ser humano.
Nada como dois filmes para te fazer pensar sobre el cine.
posted by
João Cândido at 22:09
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"O melhor remédio é o riso", afirma o Sr. Barriga
O mexicano Edgar Vívar já estava no fim do colegial, mas precisava freqüentar as aulas de alguma matéria ligada à arte para completar seus créditos. Quando decidiu fazer teatro, ele nem imaginava que iria participar da série de TV mais famosa da América Latina.
Vívar ficou conhecido em mais de 40 países como o Sr. Barriga, o famoso cobrador de aluguéis da vila da série "Chaves". Ele também fazia o papel de seu filho Nhonho, uma criança gorducha e mimada.
Na quarta (10), Vívar chegou ao Brasil para divulgar os novos bonecos dos personagens da série. Na tarde desta quinta-feira (11), ele deu uma entrevista em que contou as histórias dos bastidores de "Chaves".
"Estou muito contente por estar no Brasil e feliz de receber o carinho dos fãs daqui", disse Vívar. O ator contou que toda a turma da série tinha planejado uma turnê por aqui em 1994. Mas Ramón Valdez, o Seu Madruga, ficou doente, e tiveram que cancelar a viagem. Acabaram desistindo da idéia, por causa da morte do ator Raul Chato Padilla, o Jaiminho.
Edgar lembrou como entrou para a série: "Em 1970, fui fazer o teste para um comercial em que o Chespirito (Roberto Gómez Bolaños, o Chaves) também trabalhava. Ele achou que eu levava jeito e me convidou para trabalhar com ele", conta. Vívar estreou no "Chaves" em 1972, como ator convidado. Começou como um simples cobrador de aluguel, mas acabou virando o dono da vila e ganhou até filho, o mimado Nhonho, também interpretado por ele.
E qual personagem Vívar gostava mais de fazer? "Não dá para escolher entre o Sr. Barriga e Nhonho. Eu amo os dois", justifica. E aproveita para lembrar o quanto era difícil filmar as cenas em que os dois contracenavam -e que eram feitas com um efeito rudimentar, chamado "cromakey". Mas pior ainda eram os tombos, banhos de farinha e baldes de água: "Precisávamos repetir estas cenas umas três, quatro vezes. E não é que acabavam usando a primeira gravação?", lembra.
Mas tudo era encarado de uma maneira positiva. Segundo Edgar, o elenco era como uma família: "Às vezes nos dávamos bem, às vezes mal. Mas conseguimos ficar juntos por 25 anos". Hoje, ele respeita, conhece e admira seus colegas. E se lembra emocionado de seu melhor amigo na época da série, Ramón Valdez, o Seu Madruga. Vívar se impressionava com o bom-humor do colega, que faleceu em 1988, por causa de um câncer de pulmão. "Ele estava no hospital, doente, mas fazia piadas e brincava o tempo todo".
Aliás, rir é o que recomenda o Sr. Barriga. Formado em medicina, profissão que exerceu por apenas dois anos, Edgar dá sua receita para os fãs: "O melhor remédio é a risoterapia".
posted by
João Cândido at 04:21
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Um certo Festival de Veneza...
COMPETIÇÃO PRINCIPAL
Leão de Ouro de Melhor Filme:
"O Retorno" ("Vozvraschenie") de Andrey Zvyagintsev
Grande Prêmio do Júri, Leão de Prata:
"O Cometa" ("Le cerf-volant") de Randa Chahal Sabbag
Melhor Diretor Especial, Leão de Prata:
Takeshi Kitano, com "Zatoichi"
Contribuição Individual Excepcional:
Marco Bellocchio, com "Buongiorno Notte"
Melhor Ator:
Sean Penn em "21 Gramas"
Melhor Atriz:
Katja Riemann em "Rosenstrasse"
Melhor Ator ou Atriz Jovem:
Najat Bessalem em "Raja"
MOSTRA ALTERNATIVA
Prêmio San Marco para Melhor Filme:
"Vodka Lemon", de Hiner Saleem
Prêmio de Direção Especial:
Michael Schorr, por "Schultze Gets the Blues"
Prêmio Alternativo de Melhor Ator:
Asano Tadanobu, em "Last Life in the Universe"
Prêmio Alternativo de Melhor Atriz:
Scarlett Johansson em "Lost in Translation"
Prêmio "Luigi De Laurentiis" para diretor iniciante:
Andrey Zvyagintsev por "O Retorno" ("Vozvraschenie")
Prêmio "Marcello Mastroianni" para ator ou atriz jovens:
Najat Dessalem em "Raja"
"Contribuição" ao cinema:
Marco Bellocchio pelo roteiro de "Bom Dia, Noite"
Leão de Prata por Curta-metragem:
"The Oil", de Murad Ibragimbekov
Prêmio UIP por Melhor Curta-metragem Europeu:
"The Trumouse Show", de Julio Robledo
posted by
João Cândido at 18:39
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wsexta-feira, 5 de setembro de 2003 |
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Filme de Amor - Brasil, 2003, cor, 35mm, 116 min
Direção: Júlio Bressane
Roteiro: Júlio Bressane e Rosa Dias
Elenco: Bel Garcia, Jose Antello, Fernando Eiras
Sinopse: Três amigos Hilda, Matilda e Gaspar, populares e suburbanos, encontram-se no fim de semana em um pequeno e pobre apartamento no centro da cidade para estarem juntos, conversar, beber e sentir prazer. Algum prazer. Hiato em uma rotina dura e medíocre. Os três amigos pobres, inteligentes e de sensibilidade incomum, projetam seu imaginário em uma espécie de sonho embriaguez que os eleva a um estado de espírito para além do insalubre, do insuficiente, do insulso, dia-a-dia. Este encontro, contra-ponto amoroso à raiva cotidiana, é um antídoto à banalização da existência e um clamor a vida, maneira sutil e intensa de estar presente no mundo.
Signo do Caos (Sign of Caos) - Brasil, 2003, PB e cor, 35mm, 80min
Direção: Rogério Sganzerla
Roteiro: Rogério Sganzerla
Elenco: Otávio Terceiro, Sálvio do Prado, Helena Ignez, Guaracy Rodrigues, Freddy Ribeiro, Eduardo Cabus, Gilson Moura, Felipe Murray, Vera Magalhães, Anita Terrana, Ruth Mezek. Partipação Especial: Camila Pitanga e Giovana Gold
Sinopse: O filme, que começa em preto e branco, passa-se em uma época indeterminada, quando o Rio de Janeiro vivia seu auge como cidade maravilhosa. Uma estranha "carga" contendo um filme é recebida por agentes alfandegários a serviço do DIP e submetida a sessões de mutilação e destruição nas mãos de Dr. Amnésio, chefe dos censores do DIP. Na segunda parte do filme, a cores, convidados fesceninos comemoram a vitória do esquecimento e dançam ao som de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso. As polêmicas imagens do filme viram cinzas.
posted by
João Cândido at 21:40
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Haha! O Helil me mandou um e-mail entitulado "Guia de sobrevivência do Horror: como sobreviver num filme de terror". Eu achei o máximo! ae, taí embaixo. hahahaha muito bom mesmo!
- Se você descobrir que a casa onde você mora foi construida sobre um cemitério, ou uma igreja onde aconteceram assassinatos múltiplos, ou onde malucos cometeram suicidio coletivo em favor de seitas ainda mais malucas, ou no local onde se praticavam rituais satânicos e necrofilia; não procure tirar a história a limpo, mude-se imediatamente.
- Se sua casa possui um porão, não vá fuçá-lo, principalmente se estiver faltando luz. hahahahaha como assim "não entre no seu porão"
- Nunca entre num quarto sem antes verificar atrás da porta. Geralmente é lá ou escondido no armário, que se encontra o perigo.
- Se o seu filho falar com você em latim ou em uma língua que você não conhece, ou se falar com uma voz grossa que não é a característica dele, não pense duas vezes: atire para matar. Você estará a salvo de uma série de problemas, mas é bom estar preparado, pois, matá-lo não vai ser fácil. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA ATIRE PARA MATAR NO SEU FILHO!!!!!
- Nunca vá visitar cemitérios após a meia-noite, e se for, não fique parado ao lado, de costas, na frente ou atrás de nenhuma tumba ou cripta. quem vai visitar cemitério a meia-noite???
- Nunca leia em voz alta livros sobre demonismo e possessão, nem de brincadeira.
- Se ganhar um quebra cabeça em forma de cubo mágico, não procure desvendá-lo. hahahahahaah oops!
- Se escutar um barulho estranho e encontrar apenas um gato, fuja imediatamente. Este conselho vale uma vida. po, aqui em casa é foda então...
- Quando matar um serial killer ou monstro, nunca encoste nele para verificar se ele realmente está morto. ah ta, podexa! vou tomar esse cuidado das proximas vezes...
- Não toque em nada que pertenceu a um morto. HAHAHAHAHAHA mas perai! um dia td mundo morre!
- Nunca faça experiências com códigos DNA, ao não ser que você saiba o que está fazendo. alow, mundo?
- Nunca escute durante a noite, trilhas sonoras que possuam violinos e violoncelos como instrumentos.
- Se ao viajar você deparar-se com uma cidade aparentemente deserta, saia imediatamente.
- Fique longe de certas localizações geográficas como: Transilvânia, Elm Street, Amityville, Santa Clara, Santa Mira, Crystal Lake, Nilbog (Deus te ajude se você conhece este último), o Triângulo das Bermudas, ou qualquer cidadezinha localizada no Maine. passei na esquina da Santa Clara hoje... duas vezes!
- Ao conhecer novas cidades, procure acreditar em todas as crenças e mitos locais.
- Se o seu carro tiver problemas na estrada, não vá procurar um local perto para telefonar. Se o carro quebrar perto de uma velha mansão ou um castelo numa montanha, não vá em busca de abrigo; fique no carro. hahahahaha o q? esperando ele consertar por milagre??
- Fique longe de estranhos que estiverem manipulando serras elétricas, machados, escopetas, cortadores de grama, arpões, facas afiadas... até mesmo na vida real. hahahahahahahahhahahahaah esse adendo no final me fez me mijar de rir aqui!!!!!!!! ATÉ MESMO NA VIDA REAL!!!!!!
- Na companhia de amigos, nunca saia sozinho para buscar algo na geladeira e diga: "Eu volto já". Você provavelmente nunca mais verá seus amigos novamente. essa é velha
- Se seus amigos começam a mostrar hábitos estranhos, como uma grande fascinação (e adoração) por sangue, fraturas expostas, cheiro de decomposição de cadáveres e ferimentos; procure ficar longe deles o mais depressa possível. hahahahahaha po, mas esses que são os bons amigos!
- Nunca deixe em sua cozinha, facas e materiais pérfuro-cortantes ao fácil alcance.
- Se você é mulher, nunca tome banhos demorados. ufa
- Se você é chegado a malhação, muito cuidado! O metido a fortão é sempre uma das primeiras vítimas, assim como, a primeira mulher a se despir. UFA!
O melhor é imaginar essas situações na minha vida diária, tipo estar andando e de repente me deparar com um cara com um serra elétrica. ÓBVIO que eu não iria até lá puxar papo! hahahahahaha Muito bom!
posted by
João Cândido at 16:26
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MAIS!!
Ainda Doente
Eu decreto hoje que a vida
É simplesmente receber e não dar
A Inglaterra é minha - ela me deve uma existência
Mas pergunte-me porque e eu cuspirei em teu olho
Ó, pergunte-me porque e eu cuspirei em teu olho
Mas nós não podemos nos apegar mais aos velhos sonhos
Não, nós não podemos nos apegar a esses sonhos
O corpo controla a mente
Ou a mente controla o corpo ?
Eu num sei...
Sob a ponte de ferro nos beijamos
E ainda que eu tenha ficado com os lábios machucados
Simplesmente não era mais como nos velhos tempos
Não, não era como aqueles dias
Ainda estou doente?
Ó...
Ainda estou doente?
Ó...
O corpo controla a mente
Ou a mente controla o corpo ?
Eu num sei...
Pergunte-me porque e eu morrerei
Ó, pergunte-me porque e eu morrerei
E, se você deve, vá pro trabalho - amanhã
Bem, se eu fosse você, eu não me importaria de verdade
Pois estes são lados mais iluminados da vida
E eu bem sei, pois eu os vi
Mas não com muita freqüência...
Sob a ponte de ferro nos beijamos
E ainda que eu tenha ficado com os lábios machucados
Simplesmente não era mais como nos velhos tempos
Não, não era como aqueles dias
Ainda estou doente?
Ó...
Ó, ainda estou doente?
Ó...
posted by
João Cândido at 13:04
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Senhoras e senhores... como vão?
Aqui as coisas andam meio estranhas. Ontem eu achei ter encontrado Deus. É, Deus! Achei que ele viesse em garrafas a R$4,30 no Pão de Açucar, envolto num rótulo onde se lia "Polansky". E Deus misturado com uma Coca-Cola... nossa! Parecia mesmo o céu. Cadê os problemas? Cadê as tristezas? Deus deu um jeito neles, eles sumiram. Mas eu estava enganado. Aquele delicioso líquido branco engarrafado não era Deus. Ou pelo menos era um deus bem perverso. Afinal de contas, ele me deixou em péssimo estado físico e mental poucas horas depois. Eu fiquei cá pensando comigo... acho que eu deveria saber lidar melhor com ele, com esse suposto deus. Eu não deveria ter tomado quatro doses dele seguidas. Pelo menos não seguidas, ora bolas!
Mas então, quando eu cheguei em casa, sentei em frente a TV e comecei a assistir a Além da Imaginação. Eu não entendi nada! JotaÉfe tinha que ficar me explicando tin-tin por tin-tin.
EI! PERAI! QUE PORRA DE POST É ESSE? AH, NÃO FODE!!! ISSAKI NÃO É DIÁRIO, PORRA!

posted by
João Cândido at 04:43
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wsábado, 23 de agosto de 2003 |
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Ontem eu fui à ópera.
Ontem minha vida foi marcada. Tenho a sensação de que daqui a 20, 30, 50 anos eu ainda vou ter nítida na minha cabeça todas as sensações geradas pelo Tristão & Isolda que eu vi ontem no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em montagem do assumidamente iconoclasta Gerald Thomas. Fico imaginando se uma montagem clássica me faria tanto efeito. A resposta é claramente um "não". A cena se passa, de início, no consultório do Dr. Sigmund Freud, em meio a Av. Nossa Senhora de Copacabana, 456, apartamento 1301. O que temos ali não é Tristão & Isolda. A minha sensação era de que estava assistindo a uma grande terapia de grupo onde cada louco se imaginava um personagem da ópera de Wagner. As roupas (Isolda com um sobretudo largado e claramente de um tamanho maior que o seu), os gestos (alguns momentos me lembrando Os Trapalhões), os cenários... tudo isso me lembrava aquela velha piada do louco que pensa que é Napoleão. Aqueles loucos ali, tratados num Rio de Janeiro contemporâneo pelo Dr. Freud, acham que são Tristão, Isolda, o Rei Marke... E isso faz todo sentido. O texto, como deixavam bem claras as legendas, dá toda margem à análises psicológicas e muito, muito Freud. Aliás, para esses e outros paralelos, recomendo a SEGUNDA PARTE da coluna do Arnaldo Bloch no Segundo Caderno de hoje.
Portanto, não é nada, nada, nada à toa ou à título de anarquia que Gerald Thomas bota Freud pra cheirar cocaína (numa cena linda! linda! linda de doer! Toda iluminada de vermelho e ele jogando a cocaína pro alto, que cai por cima dele com que um feitiço e o resto dos atores so assistem... ah, só de lembrar me arrepio). Nem é à toa que ele cria no segundo ato um desfile de moda e muito menos à toa é ele fazer Freud falir e se transformar em maquiador dos desfiles no terceiro ato. Amanhã é a última récita. É uma grande pena porque tudo o que eu queria agora era rever essa obra prima que conseguiu mexer comigo a ponto de eu sentir essa necessidade de sentar e escrever um pouco sobre.
E as vaias ao final do espetáculo, que tinham como alvo direto Gerald Thomas, foram ridículas, vergonhosas, o contraponto perfeito para aquilo que ele mesmo chama de "aplauso débil mental". Essas foram vaias débeis mentais. Um Municipal cheio (já não lotado, porque, sim, um número considerável de pessoas dispersou principalmente entre o segundo e o terceiro ato) aplaude de pé, urrando, a maravilhosa Jayne Casselman, o maestro e, bom, todo o resto do elenco, mas, quando o Gerald entra, meio tímido, como que já esperando pelas vaias, elas surgem. Faça-me o favor! O que parece é que aquilo foi uma vaia protocolar, que aquele pessoal leu no Segundo Caderno que ele tinha sido vaiado na estréia e resolveu "ir atrás". Está muito longe, a quilômetros e quilômetros da vaia consagradora, aquela que o próprio já conheceu, no passado. Eu me senti com vergonha daquela platéia e o único que pude fazer foi bater as mãos cada vez mais forte, tentando a todo custo superar aqueles urros de lobos que simplesmente não entendiam onde estavam.
Pois bem, senhoras e senhores. Esse blogue, já tão saturado de ídolos, acaba de ganhar mais um que, além de tudo, é muito gato!
PS: Pra vocês não ficarem curiosos ou perdendo tempo se cadastrando no site do Globo, taí a segunda parte da coluna do Arnaldo Bloch. Não vou colar a primeira porque acho que não tem relevância com o que eu quero discutir aqui. Ele fala sobre a reação do povo à montagem e um pouquinho sobre o passado recente do Gerald Thomas no teatro carioca. Vale a pena, mas, bom, o interessante é isso aqui, ó:
Durante a semana, pulularam exclamações ultrajadas, de gente com bastante cultura, a perguntar, com pureza d’alma: “Mas o que Freud tem a ver com ‘Tristão e Isolda’? Para que a cocaína? E a cena da masturbação? E os desfiles de moda? Nosso pobre público provinciano, que sequer conhece o original, não resistirá a este insulto contemporâneo!”
Procurou-se sacramentar a idéia de que era tudo paçoca aleatória, sem sentido. O que está longe da verdade, independentemente de se gostar ou não da montagem. Que, de fato, em muitos momentos atrapalha a fruição da ópera (o que teria sido evitado se Gerald fosse mais econômico, usando seus recursos de maneira incidental e não ostensiva).
Mas vejamos. Por que Freud? Bom, “Tristão e Isolda” (está tudo nos diálogos legendados!) é uma ópera cheia de alusões a desejos sufocados, às delícias do amor carnal, à idéia da “morte eterna” associada ao afeto (Isolda deseja morrer de amor), à busca de uma cura assombrada por culpas e frustrações. Hello , Freud! Hello , “princípio do prazer”...
Ah, mas por que a cocaína? Bom, vamos ver... No angustiado amor de Tristão e Isolda, recorre-se a bálsamos, filtros, elixires. Na ária final, da “morte de amor”, Isolda fala de “aspirar” e “ingerir”. Numa ópera transposta para o consultório de Freud, que usou cocaína na sua terapêutica, nada menos aleatório.
Ah, mas aquela mulher no início do primeiro ato, masturbando-se no divã. É, talvez tenha sido um recurso apelativo. No entanto, ao levantar do pano, o que se vê é a paciente que, altamente erotizada (como erotizada é Isolda), delira a ópera, diante de Freud.
E a moda? Aqueles desfiles no fundo da cena? Bom, o diretor ejeta Freud para a contemporaneidade e sugere aí o binômio passion/fashion (está no programa): a moda mata a paixão, na sociedade do entretenimento gelado, da beleza e do erotismo cibernéticos e formatados na magreza asséptica. Nesse mar não só Freud, mas o revolucionário romantismo wagneriano estão ameaçados de morrer.
Freud, aliás, na montagem, enlouquece com sua paciente, e termina maquiador de modelos. Paralelo adequado, num tempo em que a reflexão vai para o lixo e resolve-se tudo com um prozac, um pó, ou uma vaia. Freud no lixo... numa cena da montagem, o Rei da Cornualha, ao topar com aquele pai da psicanálise atemporal, tira-o da cadeira e joga-o no chão. Boa metáfora para o que vem acontecendo com Gerald desde o sábado passado.
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João Cândido at 16:34
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wterça-feira, 12 de agosto de 2003 |
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HUM, DOIS MOTIVOS PELOS QUAIS A VIDA VALE A PENA
(1) Issaki!
(2) Entrar no ICQ e receber uma mensagem do meu primo mandando entrar aqui. Entrar aí e ler o seguinte:
(16:45) Por incrível que pareça, fontes do site Creature Corner informaram que são grandes as chances de haver, na sequência de Freddy Vs. Jason, participação do já quarentão Bruce Campbell (foto), interpretando seu personagem mais famoso: Ashley J. 'Ash' Williams, da série Evil Dead (no Brasil, Uma Noite Alucinante), de Sam Raimi.
A produtora New Line Cinema está animada com o projeto, que deve unir as duas criaturas contra um inimigo comum: Ash.
Vai ou não vai ser o filme do milênio?? Diz aí!
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João Cândido at 16:53
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